Ana Júlia quer levar à Câmara atuação firme contra extrema-direita e fortalecer base de Lula
Deputada mais jovem da história da Assembleia Legislativa aposta na experiência construída no Paraná para fortalecer a bancada do PT, defender as pautas do governo e enfrentar a extrema-direita no Congresso

Conhecida pela atuação firme na Assembleia Legislativa do Paraná, onde protagonizou embates com parlamentares da extrema direita e cobrou o cumprimento do regimento durante votações e sessões, a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) disputa uma vaga na Câmara dos Deputados com uma missão política definida: fortalecer a base do presidente Lula no Congresso e levar ao Legislativo federal as pautas que marcaram seu mandato no Paraná.
Eleita em 2022, aos 22 anos, Ana Júlia tornou-se a deputada estadual mais jovem da história do Paraná, com votos em quase todos os 399 municípios do estado.
Quatro anos depois, Ana Júlia é uma das apostas do PT nacional para ampliar a bancada federal. A candidatura à Câmara veio após convite do presidente Lula, com o objetivo de fortalecer a base governista no Congresso e ampliar a presença de uma nova geração de parlamentares na bancada petista.
“Eu aceitei o convite do presidente Lula porque sei o tamanho da disputa que teremos no Congresso. Quero levar para a Câmara a mesma firmeza que tivemos nesses quatro anos na Assembleia: defender a educação pública, os trabalhadores, as mulheres e a juventude, fortalecer o governo Lula e não recuar diante da extrema-direita. A gente aprendeu aqui no Paraná que é preciso conhecer o regimento, disputar cada projeto e enfrentar quem tenta retirar direitos”, afirma Ana Júlia.
A candidatura também representa uma mudança de dimensão para uma trajetória política iniciada ainda no movimento estudantil.
Ana Júlia ganhou projeção nacional aos 16 anos, durante as ocupações das escolas públicas do Paraná em 2016, quando discursou no Congresso Nacional em defesa dos estudantes.
Bacharel em Direito pela PUC-PR e filiada ao PT desde 2018, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba em 2020 antes de ser eleita para a Assembleia Legislativa dois anos depois.
Na Câmara dos Deputados, pretende combinar essa origem com a experiência adquirida no Legislativo estadual: fiscalização, atuação regimental, enfrentamento político e articulação em torno da educação pública, dos direitos das mulheres, da saúde mental, da juventude e dos direitos dos trabalhadores.
Embates na Assembleia
Ao longo do mandato, Ana Júlia se tornou uma das vozes de oposição ao governo estadual na Assembleia e esteve na linha de frente de algumas das principais disputas envolvendo a educação pública no Paraná.
A deputada atuou contra a privatização e a militarização das escolas, denunciou problemas relacionados ao programa Parceiro da Escola e participou das mobilizações em defesa dos professores e trabalhadores da educação.
Também levou ao Legislativo discussões sobre permanência estudantil, ensino noturno, Educação de Jovens e Adultos (EJA), cursinhos populares e transporte universitário.
Os embates ultrapassaram a pauta educacional. Em plenário e nas comissões, Ana Júlia passou a confrontar parlamentares da extrema direita e a recorrer ao regimento da Assembleia para questionar procedimentos e cobrar o cumprimento das regras durante sessões e votações.
É essa postura que a candidatura pretende levar à Câmara dos Deputados, em um Congresso no qual o PT busca ampliar sua bancada para dar maior sustentação ao governo Lula e fazer o enfrentamento político à direita e à extrema direita.
Renovação da bancada
Ana Júlia também integrou a criação do Congresso do Povo, articulação nacional formada por uma nova geração de lideranças petistas que disputa vagas na Câmara dos Deputados em 2026.
O movimento reúne jovens que já exercem mandatos estaduais ou municipais e defende a renovação e a ampliação da bancada do PT.
Entre os compromissos apresentados pelo grupo estão o fim da escala 6x1, justiça tributária, mudanças no modelo de emendas parlamentares, combate à violência contra as mulheres e mudanças na política de segurança pública.
A articulação coloca a transição geracional ao lado de outro objetivo da campanha petista: aumentar o número de deputados capazes de sustentar no Congresso as propostas defendidas pelo governo Lula.
Educação como ponto de partida
A educação pública permanece como uma das principais bandeiras da candidatura de Ana Júlia.
A defesa da escola pública está na origem de sua atuação política e acompanhou toda a trajetória da deputada, das ocupações estudantis de 2016 ao primeiro mandato na Assembleia Legislativa.
No Paraná, Ana Júlia enfrentou a privatização e a militarização das escolas, denunciou irregularidades no Parceiro da Escola e atuou pela permanência estudantil, pelo ensino noturno, pela EJA, pelos cursinhos populares e pelo transporte universitário.
Na Câmara, pretende defender uma escola pública, gratuita, democrática e de qualidade, com investimento permanente do Estado e sem transferência da gestão das escolas para empresas privadas.
Entre as propostas estão a valorização dos professores e trabalhadores da educação, com carreira, remuneração e condições dignas de trabalho; o fortalecimento das universidades e institutos federais; e a ampliação dos cursinhos populares e do acesso ao ensino superior.
A candidatura também defende políticas de permanência estudantil, com moradia, alimentação, transporte e assistência, além da ampliação da EJA, do ensino noturno e do ensino técnico para garantir oportunidades a quem precisa conciliar trabalho e estudo.
Direitos das mulheres
A defesa dos direitos das mulheres é outro eixo da atuação que Ana Júlia pretende levar ao Congresso.
No Paraná, seu mandato apresentou e participou da construção de iniciativas relacionadas ao combate à violência obstétrica, fortalecimento das Delegacias da Mulher, apoio às mães trabalhadoras, valorização da economia do cuidado e assistência jurídica às vítimas de violência.
Para a Câmara, estão entre as propostas o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, o cumprimento efetivo das medidas protetivas e o monitoramento eletrônico de agressores, com tornozeleiras e alertas para mulheres protegidas por determinação judicial.
Ana Júlia também defende o fortalecimento das Delegacias da Mulher e das Casas da Mulher Brasileira, assistência jurídica para vítimas de violência e políticas de emprego, renda e autonomia econômica.
Saúde mental como política pública
Na saúde mental, Ana Júlia criou e coordena a Frente Parlamentar de Proteção à Saúde Mental da Assembleia Legislativa.
Foi por meio do trabalho da Frente que o mandato levantou o dado de 8.888 professores afastados por adoecimento mental no Paraná e ampliou o debate sobre prevenção e cuidado entre servidores, estudantes e trabalhadores.
A proposta para a Câmara inclui fortalecer o SUS e a Rede de Atenção Psicossocial, ampliar os CAPS e as equipes multiprofissionais e desenvolver políticas de saúde mental nas escolas.
Também estão entre as prioridades políticas específicas para a saúde mental dos trabalhadores, prevenção ao suicídio e atenção a mães e cuidadores submetidos à sobrecarga do trabalho de cuidado.
Direitos dos trabalhadores
Os direitos dos trabalhadores completam o conjunto de prioridades que Ana Júlia pretende levar à Câmara.
Na Assembleia, sua atuação inclui a defesa dos servidores e dos serviços públicos, a discussão sobre condições dignas de trabalho e saúde mental de diferentes categorias e o enfrentamento às privatizações.
A deputada defende que trabalho precisa significar salário digno, direitos e condições para que as pessoas tenham tempo para viver.
Aos 26 anos, Ana Júlia chega à disputa federal apresentando a experiência acumulada em quatro anos de Assembleia Legislativa como credencial para uma atuação em outra escala.
A proposta é combinar as pautas que deram origem à sua trajetória política com a experiência adquirida no Parlamento: fiscalizar, disputar projetos, utilizar os instrumentos regimentais e fazer o enfrentamento político quando necessário.
Na Câmara dos Deputados, Ana Júlia pretende cumprir a missão que recebeu ao aceitar o convite de Lula: fortalecer a bancada que dá sustentação ao governo e levar para o Congresso a firmeza que marcou sua atuação política no Paraná.




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